Dicas do especialista Gustavo Cerbasi para finanças a dois
1 – Diálogo: É na conversa que o casal vai identificar desejos e sonhos de cada um, de forma a planejar juntos. A conversa sobre finanças pode ser iniciada de forma indireta, perguntado ao companheiro se ele é feliz. Os assuntos felicidade e sonhos acarretam no tema ‘planejamento’ que, em consequência, leva a falar sobre finanças
2 – Planejamento: Identifique quanto poupar, quanto gastar e, com base nesses dois tópicos, qual padrão de vida a dois seguir. Muitas vezes, se chegará a conclusão que é necessário levar uma vida mais simples para alcançar determinados objetivos3 – Renda a dois: É aconselhável pensar na renda do casal com a soma dos dois salários.
Se for um casal em início de namoro, ele indica que ambos comecem a fazer experiências de decisões conjuntas. Se a verba de um para lazer é de R$ 1.000 e a do outro de R$ 500, significa que há R$ 1,5 mil para o lazer dos dois
4 – Individualidade: Um erro comum é começar a pensar nos sonhos do casal e esquecer os dos indivíduos, tentando igualar comportamento de pessoas que são diferentes. Os planos e vontades individuais, como cursos e aquisições pessoais, precisam ser levados em conta no planejamento
5 – Precaução: Preocupe-se em documentar a partilha de bens, como fazer um pequeno contrato, que pode ser de gaveta mesmo, para registrar investimentos ou aquisições em dupla. A precaução pode evitar futuras dores de cabeça em caso do fim do relacionamento ou até mesmo uma morte.
DICAS: Aqui vamos citar algumas dicas para aqueles que ainda não sabem por onde começar. As recomendações do consultor valem tanto para namorados como para casados. Isso porque, por mais jovem que seja o casal, qualquer plano que vier a ser feito em conjunto envolverá a questão financeira, explica. “Na vida do namoro, geralmente o jovem é duro, ganha pouco. É preciso usar a criatividade”, diz.
- Diálogo: A primeira etapa é conversar sobre o assunto, o que para muitos ainda é considerado um tabu, diz. “O assunto dinheiro não é um bicho de sete cabeças.” Sem a conversa, o especialista considera ser possível acontecer o que chama de “infidelidade financeira”, quando o parceiro esconde dívidas, por exemplo, que acabam por vir à tona e terminam em brigas e discussões. “Pequenos problemas vão se tornando ‘monstrinhos’, que resultam em uma séria de acusações”, diz. “Quando o parceiro descobre que o outro tem o hábito de entrar no vermelho e ele não sabia, dá um sentimento de traição”. Para aqueles que não conseguem introduzir o assunto, ele sugere iniciar a conversa de forma indireta, o que pode ser feito, por exemplo, perguntando se o companheiro é feliz. “Na resposta, surgem objetivos que estão sendo esquecidos, sonhos”. De acordo com ele, o diálogo sobre sonhos e vontades indiretamente leva ao tema planejamento que, por sua vez, cai nas finanças pessoais.
- Padrão de vida: O especialista indica que o casal identifique três itens: quanto poupar, quanto gastar e, com base nesses dois tópicos, qual padrão de vida seguir. “Inevitavelmente, muitas vezes eles vão ter que pensar que o estilo de vida precisa ser mais simples.” Ele lembra, contudo, que o consumo não pode ser deixado de lado, uma vez que dá prazer e é da natureza do ser humano consumir. “Não digo se a pessoa está certa ou errada em querer comprar um sapato novo ou equipar um carro. Só que, se não conseguirmos nos organizar para o longo prazo, como ter umas férias maravilhosas ou reformar o guarda-roupa, vai ser uma luta inglória”, diz. Cerbasi salienta que é justamente pensando nos gastos com prazeres no dia a dia que o casal às vezes precisa ter mais calma nos planos que exigem maior investimento – como a compra de automóvel ou imóvel "dos sonhos". "Contar com verba maior para o lazer, bem-estar e qualidade de vida, significa sair mais da moradia ao final de semana. Não é por isso que vou ter uma vida menos confortável”, avalia. Na hora guardar dinheiro ou investir, ele ainda sugere que a divisão seja feita em três fases: uma reserva para emergências (recomenda ser o equivalente a três salários do casal); uma pensando na aposentadoria e, o que sobrar, para viabilizar outros planos, como viagens. O especialista faz a ressalva para a preocupação de documentar a partilha de bens. “Caso um investimento esteja no nome de um dos dois, por exemplo, é importante que o casal procure fazer um pequeno contrato, que pode ser de gaveta mesmo." O consultor diz que, apesar de soar como um ato de desconfiança, trata-se de uma atitude saudável. Em caso de imprevistos, como fim do relacionamento ou até mesmo uma morte, um documento pode evitar grandes problemas.
- União das finanças: Cerbasi também aconselha a união das finanças, ou seja, pensar na renda do casal com a soma dos dois salários. "Dividir contas é uma atitude simplista. Se cada um cuida só do seu dinheiro, apesar de parecer ser a melhor solução, mais cedo ou mais tarde as contas serão unidas, ou na morte de um dos dois, ou em um casamento... A forma mais eficientes de lidar é unindo o quanto antes", sugere. Para Cerbasi, a divisão aponta para uma “competição” no futuro. “Vai ter a sensação de um rico e um pobre morando em baixo do mesmo teto”.
- Individualidade: Por mais que as finanças e os planos sejam pensados a dois, os projetos individuais não podem ser esquecidos, salienta. “É importante reconhecer que ambos têm diferenças. As ações individuais tornam a pessoa mais motivada”, afirma. “O erro mais frequente é começar a pensar nos sonhos do casal e esquecer os dos indivíduos. Se eu começo a anular o indivíduo, crio uma vida rotineira, de tentar igualar comportamentos de pessoas diferentes”.

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